A Classificação Internacional de Doenças (CID) é uma ferramenta essencial para a saúde pública e clínica, padronizando o diagnóstico de doenças e outros problemas relacionados à saúde em todo o mundo. A CID-11, lançada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em 2018, é uma atualização significativa da CID-10, trazendo avanços no diagnóstico de condições modernas, incluindo transtornos de saúde mental, doenças raras e novas categorias relacionadas à medicina contemporânea.
Com um sistema mais refinado, a CID-11 permite maior precisão na codificação, facilitando a coleta de dados e promovendo políticas públicas mais eficazes. No entanto, apesar de sua importância, o Brasil anunciou recentemente o adiamento da implementação da CID-11 para 2027.
A decisão de postergar a adoção da CID-11 no Brasil está intimamente ligada a desafios estruturais, técnicos e financeiros. Entre os principais fatores, destacam-se:
Capacitação profissional insuficiente: A transição para a CID-11 exige treinamento extensivo de profissionais da saúde, incluindo médicos, enfermeiros, administradores hospitalares e outros envolvidos na gestão de saúde.
Infraestrutura tecnológica inadequada: A CID-11 foi projetada para ser utilizada em plataformas digitais, requerendo sistemas informatizados robustos para integrar e gerenciar os dados de forma eficiente.
Alinhamento regulatório: O Brasil precisa ajustar suas regulamentações nacionais, como aquelas vinculadas ao SUS (Sistema Único de Saúde), para incorporar os novos códigos e classificações.
A pandemia de COVID-19 sobrecarregou o sistema de saúde brasileiro, redirecionando recursos financeiros, humanos e técnicos para lidar com a crise sanitária. Essa situação atrasou a execução de projetos estruturais importantes, como a implementação da CID-11.
O adiamento impacta diretamente os profissionais de saúde, que continuarão utilizando a CID-10 por mais alguns anos. Embora essa versão seja amplamente aceita, ela já apresenta limitações em diagnósticos mais recentes, como transtornos neurodesenvolvimentais e condições associadas à medicina moderna.
A coleta e análise de dados epidemiológicos, fundamentais para políticas públicas, continuarão limitadas pela estrutura da CID-10. Isso pode dificultar a identificação e o controle de novas doenças ou condições emergentes, atrasando respostas estratégicas.
Pesquisadores que dependem de dados padronizados para estudos internacionais enfrentarão desafios adicionais ao trabalhar com uma classificação que já está desatualizada em relação ao cenário global.
Apesar do adiamento, é importante reconhecer os avanços significativos que a CID-11 trará quando finalmente implementada:
Melhoria na identificação de transtornos mentais e neurodesenvolvimentais: Com categorias mais detalhadas, a CID-11 ajudará a diagnosticar condições como autismo, TDAH e outros transtornos de maneira mais precisa.
Maior integração digital: A CID-11 foi projetada para ser utilizada em ambientes digitais, permitindo uma coleta e análise de dados mais ágil.
Padronização internacional: Facilitará a colaboração entre países em termos de vigilância epidemiológica e pesquisa científica.
graph TD
A[Desafios iniciais] --> B[Capacitação de profissionais]
A --> C[Atualização de sistemas tecnológicos]
A --> D[Alinhamento regulatório]
B --> E[Programas de treinamento]
C --> F[Investimentos em infraestrutura digital]
D --> G[Revisão de legislações]
E --> H[Implementação gradual]
F --> H
G --> H
H --> I[Transição completa para CID-11]
Investimentos em capacitação: Criar programas de formação para profissionais da saúde, focando no uso da CID-11.
Modernização tecnológica: Priorizar a atualização dos sistemas de gestão hospitalar para suportar as novas demandas digitais.
Parcerias internacionais: Buscar cooperação técnica e financeira com organizações internacionais para acelerar a transição.
Campanhas de conscientização: Informar gestores, profissionais e a população em geral sobre os benefícios da CID-11.
O adiamento da implementação da CID-11 no Brasil reflete desafios complexos enfrentados pelo sistema de saúde. No entanto, com planejamento estratégico e investimentos adequados, o país poderá superar essas barreiras e aproveitar os inúmeros benefícios dessa nova classificação. A adoção da CID-11 não é apenas uma questão técnica, mas um passo crucial para alinhar o Brasil às melhores práticas globais em saúde pública.