Comportamento autista: como lidar no dia a dia
Comportamento autista: como lidar no dia a dia
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A gestão de comportamentos inadequados em crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA) é um desafio significativo, tanto para os cuidadores quanto para os profissionais envolvidos. Esses comportamentos, muitas vezes reflexo de dificuldades sensoriais, comunicativas ou sociais, podem impactar o ambiente familiar, escolar e social. No entanto, é possível implementar estratégias eficazes para minimizar esses comportamentos e promover um ambiente mais positivo e funcional para as crianças com autismo. Neste artigo, discutiremos as principais estratégias para a gestão desses comportamentos.
Antes de aplicar qualquer estratégia, é fundamental entender as causas que levam a criança a apresentar comportamentos inadequados. Crianças com TEA têm uma forma diferente de interagir com o mundo, e frequentemente, seus comportamentos são uma resposta a dificuldades sensoriais, emocionais ou de comunicação.
Os comportamentos inadequados mais comuns observados em crianças com TEA incluem:
Agressão física e verbal: Pode ser uma reação a frustrações, sobrecarga sensorial ou dificuldades na comunicação.
Comportamentos autoagressivos: Como morder a própria mão ou bater a cabeça, muitas vezes como uma forma de lidar com a sobrecarga sensorial.
Repetição de movimentos: Como balançar o corpo ou bater as mãos, uma forma de autorregulação ou busca de estimulação sensorial.
Evitamento ou fuga: A criança pode tentar fugir de situações ou estímulos que a sobrecarreguem emocionalmente, como ambientes barulhentos ou situações de mudança de rotina.
Entender o contexto de cada comportamento é o primeiro passo para uma gestão eficaz.
A aplicação de estratégias comportamentais eficazes é fundamental para o manejo adequado dos comportamentos inadequados. Essas estratégias podem ser divididas em intervenções preventivas e reativas.
Uma das abordagens mais eficazes é antecipar os estímulos ou situações que podem levar à ocorrência de comportamentos inadequados.
Estabelecimento de Rotinas e Expectativas Claras
A maioria das crianças com TEA se beneficia de um ambiente estruturado e previsível. A criação de rotinas diárias, com horários fixos para atividades como refeições, estudos e brincadeiras, ajuda a reduzir a ansiedade e aumenta o sentimento de segurança. Além disso, é importante que a criança saiba o que se espera dela, com instruções claras e visualmente apresentadas (como quadros de rotina ou cartões de atividades).
Modificação do Ambiente
Alterar o ambiente ao redor da criança pode ajudar a prevenir comportamentos inadequados. Por exemplo, ambientes com muitos estímulos visuais ou sonoros podem ser desafiadores. A redução de estímulos excessivos, como luzes fortes ou sons altos, pode ajudar a minimizar comportamentos de fuga ou agressão. O uso de fones de ouvido ou óculos escuros pode ser uma solução prática em situações sociais ou em público.
Treinamento de Habilidades Sociais
Ensinar habilidades sociais específicas é uma intervenção preventiva eficaz. Crianças com TEA podem ter dificuldades em interpretar sinais sociais e interagir adequadamente com os outros. O ensino de habilidades como esperar a vez, cumprimentar alguém ou pedir ajuda pode reduzir comportamentos inadequados em situações sociais.
Reforçar comportamentos desejáveis é uma das estratégias mais eficazes no manejo do comportamento.
Reforço de Comportamentos Adequados
Sempre que a criança exibe um comportamento adequado, é fundamental reforçar imediatamente essa ação com um reforço positivo, seja verbal, material ou social. O reforço positivo ajuda a criança a entender o que é esperado dela e fortalece os comportamentos desejáveis. Por exemplo, quando uma criança com TEA se comporta de forma tranquila em um ambiente social, elogiá-la ou permitir que ela escolha uma atividade favorita pode encorajar a repetição do comportamento.
Uso de Reforçadores Visuais
Muitas crianças com TEA respondem bem a reforços visuais. Usar gráficos, tabelas de pontos ou cartões com figuras pode ser uma forma eficiente de motivá-las. Por exemplo, uma criança pode ganhar um adesivo ou um ponto no gráfico a cada vez que completar uma tarefa, e ao atingir um número pré-determinado de pontos, ela pode trocar por uma recompensa.
A dificuldade em se comunicar é uma das características centrais do autismo. Muitas vezes, comportamentos inadequados, como agressões ou crises, ocorrem porque a criança não consegue expressar suas necessidades ou sentimentos de maneira eficaz.
Comunicação Alternativa e Aumentativa
Para crianças não verbais ou com dificuldades de comunicação, é essencial utilizar métodos de comunicação alternativa e aumentativa, como o uso de imagens, cartões, tablets ou até sistemas de linguagem de sinais. Esses métodos ajudam a criança a expressar suas necessidades, reduzindo a frustração e, consequentemente, os comportamentos inadequados.
Ensino de Pedidos Funcionais
Ensinar a criança a fazer pedidos funcionais, como pedir ajuda ou indicar algo que precisa, pode reduzir comportamentos de fuga ou agressão. O reforço positivo também deve ser utilizado para incentivar essas tentativas de comunicação.
Apesar de todos os esforços para evitar comportamentos inadequados, algumas crises ainda podem ocorrer. Nesses momentos, é essencial ter estratégias para lidar com essas situações de maneira segura e eficaz.
Desescalonamento de Comportamentos
Quando um comportamento inadequado começa a escalar, é importante intervir de forma calma e controlada. A técnica de desescalonamento envolve manter a calma, falar de forma suave e sem pressão, e dar espaço à criança, se necessário. Evitar punições severas ou gritos é essencial, pois esses métodos podem agravar a crise.
Redirecionamento de Comportamento
Quando a criança começa a exibir um comportamento inadequado, uma abordagem eficaz pode ser redirecionar sua atenção para outra atividade mais apropriada. Isso pode ser feito de maneira gradual, dando à criança a oportunidade de se acalmar e redirecionando sua energia para uma tarefa mais tranquila.
É importante destacar que a gestão de comportamentos inadequados no TEA deve ser um esforço colaborativo entre familiares, educadores, terapeutas e outros profissionais envolvidos no cuidado da criança. A consistência nas estratégias aplicadas e a comunicação aberta entre todos os envolvidos são essenciais para o sucesso da intervenção.
O trabalho multidisciplinar é fundamental, envolvendo psicólogos, terapeutas ocupacionais, fonoaudiólogos e educadores. Cada profissional contribui com sua expertise, criando um plano de intervenção integrado que atende a todas as necessidades da criança.
Gerenciar comportamentos inadequados no TEA é um desafio contínuo, mas com o uso das estratégias certas, é possível promover o bem-estar da criança e facilitar seu desenvolvimento. A chave está em compreender as causas dos comportamentos, aplicar intervenções preventivas eficazes e reforçar positivamente as ações desejáveis. A colaboração entre familiares e profissionais é essencial para garantir o sucesso a longo prazo e, assim, melhorar a qualidade de vida da criança com autismo.
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A[Identificação do Comportamento] --> B[Compreensão da Causa]
B --> C[Intervenção Preventiva]
C --> D[Reforço Positivo]
D --> E[Treinamento de Habilidades]
E --> F[Gerenciamento de Crises]
F --> G[Trabalho Multidisciplinar]